• PET Nutrição

Efeitos da publicidade infantil no consumo alimentar

Por Karoliny Rosa e

Luisa Bittencourt



Os meios de comunicação e atualmente as redes sociais tornaram-se grandes ferramentas para a obtenção de novos produtos e alimentos (KRAAK V., 1998). Com o acesso a mídias sociais, influência na hora da compra e o papel de futuros consumidores, a indústria de alimentos ganhou um novo público alvo, o público infantil. No entanto, a maior parte da publicidade de gêneros alimentícios, introduz um grupo de alimentos industrializados, pouco

nutritivos, hipercalóricos e ultraprocessados, que pode comprometer os hábitos alimentares

das crianças a longo prazo.


A infância é o período em que há a consolidação dos hábitos alimentares que se perpetuam por toda a vida. O impacto das mídias de comunicação, a indústria cada vez mais ultraprocessada e menos nutritiva, uma geração sedentária e os hábitos alimentares dos pais podem influenciar na escolha dos alimentos desses novos consumidores. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Pediatria, quatro em cada cinco crianças obesas permanecerão obesas quando adultas (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA, 2012).


Crianças com obesidade possuem um risco a curto e longo prazo de obterem doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), como hipertensão e diabetes. Dessa maneira, a epidemia da obesidade está se tornando um problema de saúde pública em todo o mundo. Além dos fatores genéticos, outros como sociais, comportamentais e ambientais têm um papel essencial na predisposição para crianças e adolescentes se tornarem obesos (STRAUSS,1999). O tempo de tela, por exemplo, período em que um indivíduo fica em frente a televisão, tem sido associado como fator de risco para obesidade em crianças, já que durante essa fase esse tempo é maior. Além disso, o tempo de tela por si, auxilia na falta de atividade física e a um aumento do sedentarismo nessa faixa etária (CRESPO, 2001).


Hoje em dia, as crianças vivem em um mundo saturado de tecnologias, com acesso imediato a tudo que há de novo. Em um estudo publicado na Pediatrics International foi observado que a publicidade mais divulgada durante os intervalos dos desenhos infantis era a de alimentos, desses principalmente guloseimas, chocolates e salgadinhos fritos. Além disso, o tempo de tela das crianças estudadas foi em média de duas horas nos finais de semana, sendo expostas por aproximadamente 35 minutos de propaganda em geral (AKTAS, 2016). Com o estudo, observou-se que a maior parte de propagandas de alimentos ocorria no período da manhã e durante os finais de semana, período em que o público infantil predominava como telespectador, concluindo que faixas etárias menores são mais vulneráveis a publicidade e a indústria alimentícia (TARAS, 1989).


O consumo de guloseimas e alimentos de baixo valor nutricional em frente a televisão também está relacionado com a abundância deste tipo de propaganda na programação televisiva. Durante um estudo da Health Psychology dois grupos de crianças em idade escolar assistiam a um programa infantil e tinham acesso a mesma guloseima pré-selecionada, enquanto um grupo assistiu durante os intervalos do programa propagandas de alimentos de baixo valor nutricional e ricas em açúcares e gorduras, o outro grupo de crianças assistiu ao programa com comerciais não alimentares durante os intervalos. Observou-se como resultado, que o grupo de crianças que estava exposta a publicidade de alimentos consumiram consideravelmente 45% a mais da guloseima enquanto estavam em frente a televisão do que as crianças que estavam expostas a comerciais diversos.A análise mostrou que a repetição deste comportamento diariamente combinado a falta de atividade física pode contribuir a um ganho de peso considerável durante os anos levando ao aumento de casos de obesidade infantil (HARRIS, 2009).


Em um estudo da qualidade nutricional dos alimentos da publicidade infantil em dois estados do Canadá, Ontario, em que a indústria controla a publicidade e Quebec, em que há a proibição deste tipo de comercial, mostrou que as crianças analisadas do Estado de Quebec possuíam um perfil de macronutrientes mais saudável do que a do outro Estado (POTVIN KENT, 2011). Dessa maneira, podemos entender a associação entre a publicidade infantil de alimentos ultraprocessados e o aumento do sobrepeso e obesidade já na fase inicial da vida, assim como futuramente a doenças crônicas não transmissíveis (YOUNG, 2003).


Palavras chave: crianças, consumo alimentar, publicidade.


Referências


KRAAK V., Pelletier DL. The influence of commercialism on the food purchasing behavior

of children and teenage youth.Fam. Econ. Nutr. Rev. 1998; 11(3): 15–23.


YOUNG B. Does food advertising make children obese? Int. J. Advert. Mark. Child. 2003;

4(3): 19–25.


STRAUSS RS. Childhood obesity. Curr. Probl. Pediatr. 1999; 29: 5–29.


CRESPO CJ, Smit E, Troiano RP,Bartlett SJ, Macera CA, Andersen RE.Television watching, energy intake, and obesity in U.S. children: results from the Third National Health and Nutrition Examination Survey, 1988–1994. Arch. Pediatr. Adolesc. Med. 2001; 155: 360–65.


AKTAŞ ARNAS Y. The effects of television food advertisement on children’s food

purchasing requests. Pediatrics International. 2006;48(2):138–145. doi: 10.1111/j.1442-

200X.2006.02180.x.


TARAS HL, Sallis JF,Patterson TL ,Nader PR ,Nelson JA. Television ’s influence in children ’ s diet and physical activity .J. Dev. Behav. Pediatr . 1989; 10 : 176 – 80.


HARRIS, J. L., Bargh, J. A., & Brownell, K. D. (2009). Priming effects of television food

advertising on eating behavior. Health Psychology, 28(4), 404-413.


POTVIN KENT, M., Dubois, L., Wanless, A. & Kent, M. P. A Nutritional Comparison of Foods and Beverages Marketed to Children in Two Advertising Policy Environments. Obesity 1–9 (2011). DOI:10.1038/oby.2011.161.


BOYLAND EJ, Harrold JA, Kirkham TC, et al. Food commercials increase preference for energy-dense food, particularly in children who watch more television. Pediatrics 2011;128(1):93- 100. DOI: 10.1542/peds.2010-1859.

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