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Eficiência de dietas veganas em atletas

por Luisa Bittencourt


O veganismo, baseado na restrição de produtos de origem animal da alimentação, vem tomando espaço na atualidade principalmente devido à rápida proliferação de informações das mídias sociais (MANN, 2009). Contudo, existe ainda o paradigma de que uma dieta vegana seria pobre em proteínas, tornando impossível um rendimento adequado para atletas em competições. Dietas veganas sem a correta informação e prescrição podem não adequar os macro e micronutrientes necessários e levar a futuras deficiências nutricionais, principalmente deficiências proteicas, vitamina B12 e vitamina D, cálcio, iodo, ferro e zinco (CRAIG, 2009). Para garantir que se enquadre nas recomendações diárias e garanta a alta performance de um atleta são necessários requerimentos dietéticos específicos e objetivos da nutrição no esporte bem traçados, a fim de atingir principalmente uma melhora no rendimento do atleta no esporte praticado (PHILLIPS, 2005).


Para atletas em específico, a dieta deve prover uma carga energética suficiente para que possa finalizar sua prova e atingir o balanço energético ideal. Todavia, alguns estudos demonstram um balanço energético negativo comum em atletas de endurance, ou seja, esportes de capacidade aeróbia de alta duração (LOUCKS, 2004). Alguns atletas encontram dificuldades em adequar os requerimentos energéticos diários, já que treinos de alta intensidade e tempo podem promover a redução do apetite e horários distintos devido às viagens do atleta, acarretando em um menor acesso a alimentos de um alto valor energético e nutritivo (POTGIETER, 2013). Energia insuficiente na dieta pode levar a um sistema imune comprometido e até tirar o atleta de sua competição (VENKATRAMAN, et al., 2002). Para atletas veganos, estudos indicam que esses indivíduos consomem menor quantidade de energia em comparação com onívoros. Esse tipo de alimentação promove um consumo alto de fibras, todavia, tendem a ter menor densidade energética e promover saciedade precoce (SLAVIN, et al., 2007).


O macronutriente de maior preocupação para indivíduos que começam a seguir essa dieta é a proteína. Há um consenso entre os estudos mostrando que há um maior requerimento de proteínas vegetais para atletas do que para a população vegana em geral, devido principalmente à necessidade da preservação da massa corporal e a promoção de saciedade (PHILLIPS, 2009). Além disso, o requerimento proteico diário deve respeitar não só os objetivos esperados como também a especificidade do tipo de treino. As recomendações são de 1,6 ou 1,7g/kg/dia para atletas de força e 1,2 a 1,4/kg/dia para atletas de endurance (STELLINGWERFF, 2011), no entanto, deve-se ater para além da quantidade, ao valor biológico da proteína consumida (PHILLIPS, 2016).


Fontes de proteínas vegetais na maioria das vezes são incompletas, faltando em sua composição alguns aminoácidos essenciais importantes, que proteínas animais normalmente possuem em maior quantidade (PHILLIPS, 2004). A leucina, por exemplo, é um aminoácido essencial crucial para a síntese proteica do músculo, auxiliando na adaptação e recuperação do exercício. No entanto, proteínas vegetais também oferecem um leque de aminoácidos essenciais, com apenas um limitante de valor biológico, quando comparadas às proteínas animais (YOUNG, et al.,1994). Em geral, dietas veganas em sua maioria provêm menor quantidade de calorias e proteínas do que dietas onívoras, sendo mais difícil em alguns momentos alcançar a quantidade de energia recomendada. Contudo, com estratégias de seleção dos alimentos corretos, acompanhamento para alcançar os índices recomendados dos macro e micronutrientes e suplementação apropriada é possível alcançar as necessidades de todos os atletas (ROGERSON, 2017).


Referências


CRAIG WJ. Health effects of vegan diets. Am J Clin Nutr. 2009;89(5):1627S–33S.


LOUCKS AB. Energy balance and body composition in sports and exercise. J Sports Sci. 2004;22(1):1–14.


MANN J. Vegetarian diets. BMJ. 2009;339


PHILLIPS F. Vegetarian nutrition. Nutr Bull. 2005;30(2):132–67


PHILLIPS S, Van Loon LC. Dietary protein for athletes: from requirements to optimum adaptation. J Sports Sci. 2011;29:29–38.


PHILLIPS SM. Protein requirements and supplementation in strength sports. Nutrition. 2004;20(7):689–95.


PHILLIPS SM. The impact of protein quality on the promotion of resistance exercise- induced changes in muscle mass. Nutr Metab. 2016;13.


POTGIETER S. Sport nutrition. A review of the latest guidelines for exercise and sport nutrition from the American College of Sport Nutrition, the International Olympic Committee and the International Society for Sports Nutrition. S Afr J Clin Nutr. 2013;26(1):6–16


ROGERSON, David. Vegan diets: practical advice for athletes and exercisers. Journal of the International Society of Sports Nutrition. Published in September, 13, 2017.


SLAVIN J, Green H. Dietary fibre and satiety. Nutr Bull. 2007;32:32–42.


STELLINGWERFF T, MAUGHAN RJ, BURKE LM. Nutrition for power sports. Middle distance running, track cycling, rowing, canoeing/kayaking, and swimming. J Sports Sci. 2011;29:S79–89. 38.


VENKATRAMAN J, PENDERGAST D. Effect of dietary intake on immune function in athletes. Sports Med. 2002;32(5):323–37.


YOUNG VR, Pellett PL. Plant proteins in relation to human protein and amino acid nutrition. Am J Clin Nutr. 1994;59(5):1203S.


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